Plano de Práticas, Recursos e/ou Materiais Pedagógicos Inclusivos na Escola
Tema/Recurso/Proposta: O presente plano consiste em um projeto interdisciplinar voltado ao aprofundamento da análise do contexto de acessibilidade do Centro Educa Mais Jansen Veloso (Pio XII-MA).
Projeto interdisciplinar “Nossa escola inclusiva: cada um de nós é único”
Contexto Analisado: Este plano é destinado à 1a Série do Ensino Médio, cobrindo componentes curriculares de Língua Portuguesa, História, Geografia, Artes e Tecnologia. A proposta surge da necessidade de trabalhar a educação inclusiva de forma prática e sensorial, promovendo a empatia, o respeito às diferenças e a quebra de barreiras atitudinais entre os estudantes.
Objetivo Geral:
Promover uma cultura escolar de inclusão, valorização da diversidade e empatia, por meio de experiências sensoriais, produções colaborativas e reflexões críticas sobre as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência.
Objetivos Específicos:
→ Compreender os conceitos de acessibilidade, barreiras arquitetônicas, atitudinais e comunicacionais.
→ Vivenciar, por meio de simulações, algumas das dificuldades encontradas por pessoas com diferentes tipos de deficiência.
→ Produzir coletivamente um produto final (guia ou mapa digital acessível) que beneficie toda a comunidade escolar.
→ Desenvolver atitudes de cooperação, respeito e apoio à acessibilidade.
Desenvolvimento da Proposta:
Etapa 1 - Sensibilização e contextualização (2 aulas)
Aula 1 - Roda de Conversa: O professor inicia com a pergunta “O que é uma escola inclusiva?”. As respostas são anotadas. Introduz-se os conceitos de deficiência, acessibilidade e barreiras (com exemplos vídeos curtos).
Aula 2 - Estações Sensoriais: A sala é dividida em 4 estações de experiência:
Estação Braille: textos em braille e uma placa com o alfabeto. Os alunos tentam escrever seu nome em papel relevo com um punção.
Estação Baixa Visão: óculos simuladores de visão turva, tubular e com manchas. Os alunos tentam ler um livro e navegar por um app no tablet.
Estação Mobilidade: cadeira de rodas e muletas. Um percurso é montado com obstáculos (mesas, mochilas no chão). Os alunos experimentam se locomover.
Estação Surdez: fones de ouvido com ruído branco (simulando perda auditiva). Os alunos tentam se comunicar apenas por gestos e expressões faciais para adivinhar uma palavra.
Discussão: após a rotação, uma discussão guiada é realizada: “O que foi difícil?”, “Como nos sentimos?”, “O que nossa escola tem ou não tem para evitar essas dificuldades?”.
Etapa 2 - Pesquisa e diagnóstico (3 aulas)
Os alunos, em grupos, serão os “detetives da acessibilidade”. Cada grupo fará um levantamento fotográfico e de anotações em um ambiente da escola (pátio, banheiros, biblioteca, sala de aula, corredores). Eles buscarão identificar:
→ Barreiras arquitetônicas: degraus, portas estreitas, piso escorregadio.
→ Barreiras comunicacionais: sinalização ausente ou apenas visual, ausência de informação em braile ou formatos acessíveis.
→ Barreiras atitudinais: observar como as pessoas interagem (ou não) com colegas com deficiência.
Etapa 3 - Produção e criação (3 aulas)
Com base no diagnóstico, a turma decidirá criar um “Mapa Digital Acessível da Escola”.
Divisão de Tarefas:
Grupo Design: fotografará os locais e usará um app de desenho para criar ícones acessíveis.
Grupo Texto: redigirá descrições claras e objetivas de como chegar a cada local (para ser transformado em áudio).
Grupo Narração: gravará a audiodescrição dos caminhos e a descrição das fotos.
Grupo Montagem: utilizará uma ferramenta digital (ex: Google Apresentações, Canva) para montar o mapa, inserir os ícones, fotos e links de áudio.
Etapa 4 - Socialização (1 aula)
Apresentação do Mapa Digital Acessível para toda a escola em uma assembleia, com convite à direção, coordenação e outros alunos.
Os grupos explicarão o processo e entregarão simbolicamente o mapa (via e-mail, QR Code impresso) à direção, propondo que ele seja disponibilizado no site da escola e para novos alunos.
Materiais Necessários:
→ Materiais para estações: óculos simuladores, cadeira de rodas, muletas, fones de ouvido, papel cartão, punção para braile, alfabeto braile.
→ Tablets ou smartphones para registro fotográfico e gravação.
→ Computadores com acesso à internet para edição.
→ Material de escritório: cartolinas, canetas, fita adesiva.
Profissionais Envolvidos:
→ Professores de sala de aula: lideranças do projeto, articulação com os componentes curriculares, mediação das atividades.
→ Professores de Educação Especial (AEE): consultoria especializada na adaptação das atividades, fornecimento de recursos de TA, suporte na criação das estações sensoriais e na mediação das discussões.
→ Direção Escolar: apoio logístico (fornecimento de recursos, liberação de espaços), recepção da proposta dos alunos e encaminhamento das sugestões para melhorias na infraestrutura.
→ Cuidadores: apoio direto a estudantes com deficiência durante as atividades práticas, garantindo sua participação plena.
Estudantes e Familiares:
Estudantes: são os agentes centrais de toda a proposta, desde a vivência até a produção e apoio. A participação é ativa e colaborativa.
Familiares: serão convidados a participar de uma “Mostra de Acessibilidade” ao final do projeto, onde os alunos apresentarão o mapa e suas experiências. Podem também ser incentivados a relatar, via questionário online, situações de barreiras que observam no entorno da comunidade.
Tecnologia digital e tecnologia assistiva:
Tecnologia digital: Tablets/smartphones (câmera e gravador de voz), software de edição (Canva, Google Apresentações). Motivo da escolha: ferramentas intuitivas, gratuitas e colaborativas, que permitem a criação de um produto digital de fácil compartilhamento.
Tecnologia assistiva: óculos simuladores de baixa visão. Motivo: permitem uma experiência empática prática, indo além da teoria. Funcionalidade: simulam condições como catarata, retinose pigmentar e glaucoma.
Softwares leitores de tela (ex: NVDA, VoiceOver). Motivo: para testar a acessibilidade do mapa digital produzido. Funcionalidade: os alunos usarão o leitor para navegar pelo mapa que criaram, verificando se as descrições de áudio estão corretas e se a navegação é lógica. Isso os torna produtores de conteúdo verdadeiramente acessíveis.
Avaliação (formativa, participativa e inclusiva):
A avaliação será processual e multifacetada, focando no desenvolvimento das competências socioemocionais e cognitivas:
Roteiro de Observação (Professor): checklist durante as atividades em grupo para avaliar participação, colaboração, empatia e resolução pacífica de conflitos.
Portfólio digital do grupo: cada grupo manterá um arquivo (uma pasta compartilhada) com fotos, anotações das pesquisas e as versões de rascunho do mapa. A evolução do trabalho será o foco.
Autoavaliação e Avaliação por Pares: após a socialização, os alunos preencherão um formulário simples com duas perguntas:
→ “O que eu mais aprendi sobre acessibilidade neste projeto?”
→ “Como meu grupo trabalhou junto? O que cada um contribuiu?”
Avaliação do Produto Final (Coletiva): toda a turma, junto com o professor de AEE, avaliará o Mapa Digital Acessível usando uma rubrica simples com critérios como: “Clareza das informações”, “Qualidade das audiodescrições”, “Funcionalidade (o mapa é fácil de usar?)”. O maior indicador de sucesso será a adoção e utilização do mapa pela gestão escolar.
REFERÊNCIAS
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DAINEZ, Débora. Desenvolvimento e deficiência na perspectiva histórico-cultural: Contribuições para educação especial e inclusiva. Rev. psicol., Santiago , v. 26, n. 2, p. 151-160, dic. 2017. Disponível em <https://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0719-05812017000200151>. Acesso em 24 ago. 2025.
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PLETSCH, Márcia Denise. Estrutura da Educação Especial numa perspectiva inclusiva, acessibilidade
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PLETSCH, Márcia Denise; SOUZA, Izadora Martins da Silva de. Diálogos entre acessibilidade e Desenho Universal na Aprendizagem. In.: PLETSCH, Márcia Denise et al. (org.). Acessibilidade e Desenho Universal na Aprendizagem. Campos dos Goytacazes (RJ): Encontrografia; Rio de Janeiro: ANPEd, 2021.
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