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domingo, 24 de agosto de 2025

Plano de Práticas, Recursos e/ou Materiais Pedagógicos Inclusivos na Escola

 


Plano de Práticas, Recursos e/ou Materiais Pedagógicos Inclusivos na Escola

 

Tema/Recurso/Proposta: O presente plano consiste em um projeto interdisciplinar voltado ao aprofundamento da análise do contexto de acessibilidade do Centro Educa Mais Jansen Veloso (Pio XII-MA).

 

Projeto interdisciplinar “Nossa escola inclusiva: cada um de nós é único”

 

Contexto Analisado: Este plano é destinado à 1a Série do Ensino Médio, cobrindo componentes curriculares de Língua Portuguesa, História, Geografia, Artes e Tecnologia. A proposta surge da necessidade de trabalhar a educação inclusiva de forma prática e sensorial, promovendo a empatia, o respeito às diferenças e a quebra de barreiras atitudinais entre os estudantes.

Objetivo Geral:

Promover uma cultura escolar de inclusão, valorização da diversidade e empatia, por meio de experiências sensoriais, produções colaborativas e reflexões críticas sobre as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência.

Objetivos Específicos:

→ Compreender os conceitos de acessibilidade, barreiras arquitetônicas, atitudinais e comunicacionais.

→ Vivenciar, por meio de simulações, algumas das dificuldades encontradas por pessoas com diferentes tipos de deficiência.

→ Produzir coletivamente um produto final (guia ou mapa digital acessível) que beneficie toda a comunidade escolar.

→ Desenvolver atitudes de cooperação, respeito e apoio à acessibilidade.

Desenvolvimento da Proposta:

Etapa 1 - Sensibilização e contextualização (2 aulas)

Aula 1 - Roda de Conversa: O professor inicia com a pergunta “O que é uma escola inclusiva?”. As respostas são anotadas. Introduz-se os conceitos de deficiência, acessibilidade e barreiras (com exemplos vídeos curtos).

Aula 2 - Estações Sensoriais: A sala é dividida em 4 estações de experiência:

  Estação Braille: textos em braille e uma placa com o alfabeto. Os alunos tentam escrever seu nome em papel relevo com um punção.

  Estação Baixa Visão: óculos simuladores de visão turva, tubular e com manchas. Os alunos tentam ler um livro e navegar por um app no tablet.

  Estação Mobilidade: cadeira de rodas e muletas. Um percurso é montado com obstáculos (mesas, mochilas no chão). Os alunos experimentam se locomover.

  Estação Surdez: fones de ouvido com ruído branco (simulando perda auditiva). Os alunos tentam se comunicar apenas por gestos e expressões faciais para adivinhar uma palavra.

  Discussão: após a rotação, uma discussão guiada é realizada: “O que foi difícil?”, “Como nos sentimos?”, “O que nossa escola tem ou não tem para evitar essas dificuldades?”.

Etapa 2 - Pesquisa e diagnóstico (3 aulas)

Os alunos, em grupos, serão os “detetives da acessibilidade”. Cada grupo fará um levantamento fotográfico e de anotações em um ambiente da escola (pátio, banheiros, biblioteca, sala de aula, corredores). Eles buscarão identificar:

→ Barreiras arquitetônicas: degraus, portas estreitas, piso escorregadio.

→ Barreiras comunicacionais: sinalização ausente ou apenas visual, ausência de informação em braile ou formatos acessíveis.

→ Barreiras atitudinais: observar como as pessoas interagem (ou não) com colegas com deficiência.

Etapa 3 - Produção e criação (3 aulas)

Com base no diagnóstico, a turma decidirá criar um “Mapa Digital Acessível da Escola”.

Divisão de Tarefas:

Grupo Design: fotografará os locais e usará um app de desenho para criar ícones acessíveis.

Grupo Texto: redigirá descrições claras e objetivas de como chegar a cada local (para ser transformado em áudio).

Grupo Narração: gravará a audiodescrição dos caminhos e a descrição das fotos.

Grupo Montagem: utilizará uma ferramenta digital (ex: Google Apresentações, Canva) para montar o mapa, inserir os ícones, fotos e links de áudio.

Etapa 4 - Socialização (1 aula)

Apresentação do Mapa Digital Acessível para toda a escola em uma assembleia, com convite à direção, coordenação e outros alunos.

Os grupos explicarão o processo e entregarão simbolicamente o mapa (via e-mail, QR Code impresso) à direção, propondo que ele seja disponibilizado no site da escola e para novos alunos.

Materiais Necessários:

→ Materiais para estações: óculos simuladores, cadeira de rodas, muletas, fones de ouvido, papel cartão, punção para braile, alfabeto braile.

→ Tablets ou smartphones para registro fotográfico e gravação.

→ Computadores com acesso à internet para edição.

→ Material de escritório: cartolinas, canetas, fita adesiva.

Profissionais Envolvidos:

→ Professores de sala de aula: lideranças do projeto, articulação com os componentes curriculares, mediação das atividades.

→ Professores de Educação Especial (AEE): consultoria especializada na adaptação das atividades, fornecimento de recursos de TA, suporte na criação das estações sensoriais e na mediação das discussões.

→ Direção Escolar: apoio logístico (fornecimento de recursos, liberação de espaços), recepção da proposta dos alunos e encaminhamento das sugestões para melhorias na infraestrutura.

→ Cuidadores: apoio direto a estudantes com deficiência durante as atividades práticas, garantindo sua participação plena.

Estudantes e Familiares:

Estudantes: são os agentes centrais de toda a proposta, desde a vivência até a produção e apoio. A participação é ativa e colaborativa.

Familiares: serão convidados a participar de uma “Mostra de Acessibilidade” ao final do projeto, onde os alunos apresentarão o mapa e suas experiências. Podem também ser incentivados a relatar, via questionário online, situações de barreiras que observam no entorno da comunidade.

Tecnologia digital e tecnologia assistiva:

Tecnologia digital: Tablets/smartphones (câmera e gravador de voz), software de edição (Canva, Google Apresentações). Motivo da escolha: ferramentas intuitivas, gratuitas e colaborativas, que permitem a criação de um produto digital de fácil compartilhamento.

Tecnologia assistiva: óculos simuladores de baixa visão. Motivo: permitem uma experiência empática prática, indo além da teoria. Funcionalidade: simulam condições como catarata, retinose pigmentar e glaucoma.

Softwares leitores de tela (ex: NVDA, VoiceOver). Motivo: para testar a acessibilidade do mapa digital produzido. Funcionalidade: os alunos usarão o leitor para navegar pelo mapa que criaram, verificando se as descrições de áudio estão corretas e se a navegação é lógica. Isso os torna produtores de conteúdo verdadeiramente acessíveis.

Avaliação (formativa, participativa e inclusiva):

A avaliação será processual e multifacetada, focando no desenvolvimento das competências socioemocionais e cognitivas:

Roteiro de Observação (Professor): checklist durante as atividades em grupo para avaliar participação, colaboração, empatia e resolução pacífica de conflitos.

Portfólio digital do grupo: cada grupo manterá um arquivo (uma pasta compartilhada) com fotos, anotações das pesquisas e as versões de rascunho do mapa. A evolução do trabalho será o foco.

Autoavaliação e Avaliação por Pares: após a socialização, os alunos preencherão um formulário simples com duas perguntas:

→ “O que eu mais aprendi sobre acessibilidade neste projeto?”

→ “Como meu grupo trabalhou junto? O que cada um contribuiu?”

Avaliação do Produto Final (Coletiva): toda a turma, junto com o professor de AEE, avaliará o Mapa Digital Acessível usando uma rubrica simples com critérios como: “Clareza das informações”, “Qualidade das audiodescrições”, “Funcionalidade (o mapa é fácil de usar?)”. O maior indicador de sucesso será a adoção e utilização do mapa pela gestão escolar.

 

 

REFERÊNCIAS

 

BERSCH, Rita. Recursos tecnológicos para a promoção da acessibilidade. YouTube, maio de 2024. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=R_fArTjLpb0>. Acesso em 24 ago. 2025.

DAINEZ, Débora. Desenvolvimento e deficiência na perspectiva histórico-cultural: Contribuições para educação especial e inclusiva. Rev. psicol., Santiago , v. 26, n. 2, p. 151-160, dic. 2017.  Disponível em <https://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0719-05812017000200151>. Acesso em 24 ago. 2025.

GALVÃO FILHO, Teófilo. X CBEE: MR14 - Perspectivas para a Tecnologia Assistiva nos espaços educacionais. YouTube, julho de 2022. Novembro de 2021. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=JCxTX0I3YHg>. Acesso em ago. 2025.
LUSTOSA, Francisca Geny; FIGUEREDO, Rita Vieira de.
Inclusão, o olhar que ensina! a construção de práticas pedagógicas de atenção às diferenças. E-book. Fortaleza: Imprensa Universitária, UFC, 2021.
PLETSCH, Márcia Denise. Estrutura da Educação Especial numa perspectiva inclusiva, acessibilidade e suas diferentes dimensões.
YouTube, maio de 2022. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=f8z0_kvpo1M>. Acesso em ago. 2025.

PLETSCH, Márcia Denise; SOUZA, Izadora Martins da Silva de. Diálogos entre acessibilidade e Desenho Universal na Aprendizagem. In.: PLETSCH, Márcia Denise et al. (org.). Acessibilidade e Desenho Universal na Aprendizagem. Campos dos Goytacazes (RJ): Encontrografia; Rio de Janeiro: ANPEd, 2021.

VIGOTSKI, Lev Semionovich. Psicologia, educação e desenvolvimento. São Paulo: Expressão Popular, 2021. 

 

 

 

domingo, 10 de agosto de 2025

materpaterna patermaterno



Pulsão materna

Função materna

             mãoterna

Pulsão paterna

Função paterna

             pãoterno

       materpaterna

       patermaterno 


terça-feira, 29 de julho de 2025

De como as crianças se apropriam dos conceitos científicos

Neste vídeo, temos um exemplo simples da importância da linguagem, para a criança, na apropriação de conceitos científicos no dia a dia.


segunda-feira, 7 de abril de 2025

Incelenças

 

 

Excelências. 

Empresa de excelência. 

Escola de excelência.

Excelência pessoal. 

Excelências. 

O conceito está por aí, persuadindo-nos que basta seguir alguns procedimentos e a excelência virá.

Virá?

A excelência contraria o óbvio: a imperfeição de que são constituídos os seres humanos, saudosos de um não-sei-o-quê que sempre nos acompanha.

Somos excelentes em nossas imperfeições.

Se não nos enquadramos no script da excelência, somos menos gente? Somos tão-somente um empecilho, carta fora do baralho? Mesmo que o roteiro nos reserve o papel de desentendido dos outros e algoz de si mesmo? Encaixe-se; ou será substituído.

Qual o preço dessa excelência? “Tome estas pílulas”, disse o médico da empresa ao meu taciturno amigo, num dos poucos dias em que este rapaz decidiu ser mais falante com os colegas de trabalho. “Você parecia alterado”, disse o médico ao meu amigo, que continua consumindo as milagrosas-pílulas-pró-excelência-empresarial.

O “excelente” professor de matemática da Escola Normal da minha infância ia aos sábados levar problemas para o meu pai resolver… Meu pai, que andava longe da excelência paterna, andava misteriosamente próximo duma suposta excelência matemática, mesmo tendo vivido na roça e mal concluído o primário… Não sabemos, talvez nunca saibamos, como é moldada a matéria de que nos constituímos...

Sei que somos insubstituíveis, pois mesmo que reponham a peça que você é, a nova peça será feita de outro material: a coisificação de outras experiências. Logo, você não estará sendo substituído. Cada ser humano é uma peça única: daí sermos insubstituíveis.

No Nordeste, excelência virou incelença. Mui interessante. Mudaram-se os prefixos: o ex (para fora) se transformou no in (para dentro). A incelença não é algo para “se amostrar”, mas para se viver, para se consolidar. 

Ou para se rememorar, como algo que nos constituiu, como as incelenças, cantigas de sentinelas, benditos de defuntos…

… Tão gostosamente de se ouvir também incelença para o trato das autoridades que estão léguas e léguas distantes da excelência como pessoas boas…

Daí eu cantar incelenças: não só para o que se perdeu, mas para a vida, e para o que em nós buscamos: não a perfeição, mas o mistério.

 

 

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Tesouro

 


O meu pai nunca se cansou da roça. Sempre trabalhou sem reclamar. Às vezes, mesmo com o sol pouco amigo, lá ia ele. E minha mãe, com as mãos nos quartos:

Tu já vai de novo, homi?

Ele era, então, um típico homem da roça.

Mas teve um tempo em que ele voltava da roça aflito, célere, olhos irritados e caía na rede e dizia que a cabeça doía. Então, o médico o proibiu de ir pra roça e, principalmente, pegar sol.

Mas papai nunca foi de passar uma tarde na rede, balançando-se com cantigas ao vento. Não; sempre foi um homem de atitude. Quando, lá mesmo no nosso povoado, abriram uma sala para alfabetização de adultos, papai foi o primeiro a se matricular. Chegou em casa todo feliz, contando a novidade.

Vou ser estudante também, igual vocês e apontou pra nós, eu, meu irmão caçula e minha irmã, um ano mais velha que eu.

Nós aplaudimos a decisão, mas mamãe foi contra:

E tu tem lá cabeça pra aprender alguma coisa ainda?

Vá estudar também, dona disse minha irmã.

E eu tenho cabeça?! respondeu mamãe, atarantada e em fuga para o terreiro.

Mas papai foi estudar e estudou – e aprendeu a ler.

Aí, teve aquele dia. Íamos pegar o carro na praça central de Pio XII, de volta para o povoado, quando papai viu o livro. Era um livro de Rubem Braga, cheio de contos, esquecido num banco da praça. Havia muitas pessoas esperando transporte para a zona rural da cidade, mas só meu pai viu o livro, como se sua recém adquirida habilidade de ler também tivesse lhe dado poderes magnéticos em relação aos objetos de leitura.

– Oxi… Esqueceram um livro aqui…

Papai saiu perguntando entre as pessoas que estavam ali pela praça se o livro era de alguma delas. Não, não era.

– Guarde com o senhor, seu Chico! – disse seu Nonato, o motorista da camionete.

Papai guardou, mas, cheio de escrúpulos como ele é, na segunda-feira foi à biblioteca municipal, ali na praça, pertinho de onde os moradores pegavam os carros com destino aos seus povoados, pois, segundo papai, alguém deveria ter pego emprestado na biblioteca e esquecido no banco da praça.

– Não, não é daqui – disse a bibliotecária, enquanto pesquisava no computador se o livro constava no acervo e se estava entre os emprestados.

Por fim, papai ficou com o livro. E o leu, por vários e vários dias. Chegávamos da escola e o encontrávamos embaixo do pé de manga, livro nas mãos, muita paciência e olhos que sorriam o mistério de uma beleza que não conseguíamos ver, mas sabíamos que estava lá.

Quando percebemos o interesse de papai pela leitura, pensamos um dia levar para ele livros que tínhamos acesso na biblioteca da escola em que estudávamos.

– Papai tem muita vontade de saber como era a avó dele – disse minha irmã. – Por isso, vou levar esse livro aqui.

E mostrou-me um bonito livro em capa dura intitulado “Mãe África”.

Papai gostou da novidade. Lia-o com avidez, inclusive à luz de velas, quando faltava energia no povoado – e olha que faltava com frequência. Ao terminar, nos perguntou:

– De onde saiu esse, tem mais?

Tinha. Na bibloteca da escola tinha uma parte da estante denominada “Literatura Negra”. Eu e minha irmã voltamos lá, escolhemos um livro cada um de nós e levamos emprestado. E foi assim que chegamos em casa com “Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus – e sobre quem havíamos assistido um documentário, na aula de português – e “Ponciá Vicêncio”, de Conceição Evaristo. Papai leu-os quase ao mesmo tempo. Depois da leitura, andava cabisbaixo, resmungando sozinho. Um dia mamãe perguntou o que ele tinha:

– A bichinha da Ponciá… – foi sua única e lacrimosa resposta.

– Essas leitura não tão fazendo bem pro seu pai – mamãe veio reclamar pra gente.

– Tão, sim! – respondeu minha irmã. – Até com um ar de inteligência papai tá agora, a senhora num tem reparado não?

– Pra mim ele num mudou nada – discordou mamãe, mas seus olhos em direção a papai pareciam dizer o contrário.

E mais cismada ela ficou quando papai anunciou que tinha uma viagem a fazer.

– Pra onde, homi?

– Vou bem ali, no Centro da Adelina, ver tia Aldina.

O Centro da Adelina fica a cerca de duzentos quilômetros do município de Pio XII. Mamãe não gostou da ideia.

– Fazer o quê? Sabe nem se tua tia é viva ainda…

– É claro que é! Como é que ela morreu e ninguém ficou sabendo?

Ajudamos a estabelecer alguns contatos, descobrimos que sua tia Aldina era viva, sim, e papai viajou.

Era para ser uma viagem de três dias, mas durou dez.

Minha irmã e meu irmão jogavam bola no terreiro em frente de casa, eu ajudava mamãe a levar para dentro as coisas que estavam no jirau, quando seu Nonato da camionete parou e papai desceu do carro, tão feliz que parecia mais moço. Foi abraçando a gente e contando logo as novidades.

Estava muito feliz por ter reencontrado sua tia Aldina que, apesar dos seus oitenta e oito anos, continuava lúcida e faladeira.

– Olhem isso aqui – e ele tirou da mochila uma pasta dessas de escola, de plástico transparente. Dentro dela, apenas um desenho. Uma mulher negra idosa, de olhar altivo e cocó.

– Quem é essa aí? – perguntou mamãe.

– Minha vó – respondeu papai, sem esconder o orgulho.

– Tua vó?

– Sim, minha vó, dona Joana Aldina da Conceição.

Mamãe olhava e olhava para o desenho, com um estranho encantamento.

Depois, papai plastificou o desenho que, contou-nos ele, havia sido feito por um filho de um primo seu, este, por sua vez, filho de sua tia Aldina. O desenhista fez o retrato a partir das lembranças e das vívidas descrições da tia Aldina.

O desenho foi colocado numa moldura e pregado na parede. E quando chegava gente lá em casa, não era papai quem fazia propaganda da nossa bisavó, era mamãe quem, sem disfarçar o orgulho, fazia questão de apontar para o quadro – como que para um tesouro que estivera oculto por anos e anos – e perguntar às visitas:

– Já viu o retrato da vó de Chico?

 



Pio XII, Maranhão, 23/02/2025, 16:42 hs. Para meus queridos alunos e alunas do Centro Educa Mais Jansen Veloso.

 

 

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

natal



então, é natal
: socorra
a sede e a fome
                              dos necessitados
"parem as guerras", re-clame
pois o verbo não é pó
                                   nem é só
                                                  princípio
                                                                  é fluir
entre as gentes tempos e lugares

deixe a escuta vagar entre
todos os mares
e captar os quasares
do desamparo cósmico
 
aquela criança desamparada nos escombros de Gaza
também é você

São Luís, 24/12/2024.

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Imprescindíveis

 


num mundo tão de-

cadente

professores são im-

prescindíveis

pra lançar uns a-

bracadabras

e tentar despertar so-

nâmbulos

e dizer tão altiva-

mente

tire os seus li-

kes do caminho

que já não vou pas-

sar com meu burnout

 

(umas pobres cri-

ancinhas

saíram da disney-

lândia

direto pra zumbi-

lândia

mas muitas ou-

tras dormiram

ao relento des-

-ses sonhos

de ser alguém al-

gum dia)

 

e cá estão pro-

fessores

repudiando men-

tiras

e com a difí-

cil lida

de reexpli-

car o óbvio

(e combater a fa-

diga

e ainda al-

çar sua voz amiga)

nesses tão va-

zios dias

nesse fastio de i-

deias

nesse não-

sentir

nesse não-sa-

ber

nesse não ca-

ber no mundo

de tantos me-

dos e espantos

 

famílias inteiras mu-

tiladas

pedem socorro aos pro-

fessores

mestres e mestras he-

hoicos

(e de natural in-

teligência)

que resistem bra-

vamente

à promoção da ig-

norância

 

mas pode o capita-

lismo

valorizar mestres e mes-

tras

quando o que o sis-

tema quer

é implantar a aliena-

cão

nos vazios dos estu-

dantes?

 

a resposta, portan-

to, é lutar

afinal, mestre Ro-

sa ensinou-nos

a navegar nos a-

bismos

com barqui-

nhos de papel